quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bispo Edir Macedo: ESCÂNDALO - Um problema nosso ou dos outros?



Bispo Edir Macedo

O áudio da mensagem proferida pelo Bispo Edir Macedo, primaz da IURD, postado na internet (também publicado abaixo para conferência), onde o líder afirma beber cerveja e vinho, não me surpreendeu quanto ao fato em si de que ele beba ou não, isso eu concordo, é problema dele, afinal, é maior de idade e absoluto em suas atitudes. Isso já está provado, o tema aborto que o diga.
Agora, vir a público, na condição de líder espiritual, usando o púlpito para criar polêmica e dissenção fora e até mesmo dentro da própria igreja que dirige, em um assunto culturalmente complexo, até mesmo na visão do mundo, é no mínimo discutível. Por outro lado, no meu entender, revela um desejo de estar sob os holofotes, ainda que seja de maneira irresponsável.
O pior de tudo é que, por mais que tentasse dissimular, usando palavras para não comprometer sua fala, sabia que estava de forma velada induzindo as pessoas a beberem, tanto que, ainda que irônicamente, encerrou o assunto com a frase do Ministério da Saúde obrigatória em todas as propagandas de bebidas alcóolicas: "Se beber não dirija".
Agora, o ponto ainda mais sério que me chamou a atenção, e é o motivo deste post, foi quanto ao seu entendimento acerca do que é escândalo, quando ele (Ipsis litteris) diz: “Agora: Bispo, isso é um escândalo o senhor falar uma coisa dessa. É, pode ser escândalo pros outros, pra mim não é.” Bispo Edir Macedo

Analisemos o que diz o dicionário da língua portuguesa sôbre o têrmo escândalo:

"escândalo  s. m. 1. Acto! que pode induzir outrem a mal, a erro ou a pecado; mau exemplo.
2. Acto! que ofende o pudor, os sentimentos religiosos, etc.
3. Indignação produzida por mau exemplo ou por ofensas.
4. Ofensa, injúria.
5. Desordem, tumulto, alvoroço.
6. Vergonha.
pedra de escândalo: pessoa ou coisa que causa escândalo geral."

Ora, sem citar ainda a Bíblia Sagrada, o próprio dicionário da língua portuguesa já define o escândalo, como uma ação que de alguma forma surpreende, ofende e induz outras pessoas ao mal. A análise do que é escândalo ou não, não parte da premissa do que eu acho, mas daquilo que provoco nos outros.


Vejamos agora o que diz a bíblia sôbre isso:
1 - "Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!" Mateus 18:7

2 - "Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão." Romanos 14:13

3 - "Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo." Romanos 14:20

4 - "Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos." 1 Coríntios 8:9

5 - "Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus." 1 Coríntios 10:32

6 - "Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado." 2 Coríntios 6:3

7 - "Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum até ao Dia de Cristo," Filipenses 1:10

8 - "Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo." 1 João 2:10

Se esses textos bíblicos, somados à definição literária do que é escândalo não querem dizer absolutamente nada, e escândalo é problema dos outros e não meu, então pergunto:  O que é então ESCÂNDALO para o Bispo Macedo?
É lógico que este post não será lido por ele, e nem é para ele, mas para que o leitor analise a responsabilidade e o cuidado que temos que ter ao nos dirigirmos aos outros, principalmente quando se trata de líderes que formam a opinião do público.

Vigiemos nós e oremos por ele.
Que Deus tenha misericórdia de nós!

Lança teu pão sobre as águas


Lança o teu pão sobre as águas






espigas de trigo



Não posso esquecer a emoção que senti quando ouvi a 
voz silenciosa do Espírito Santo falando em mim. Eu acabara 
de receber uma carta e ainda estava com ela nas mãos. Vou
contar outra vez este fato, pois faz parte das boas coisas que aconteceram em minha vida durante um período de deserto. 






De 1994 a agosto de 2000 eu cuidei de uma congregação.

Por motivos pessoais licenciei-me da Igreja para atender um compromisso familiar. Seis meses depois de volta a São Paulo

comecei a passar uma temporada de solidão ministerial. 

Entendo que estava "atravessando" de barco o "Mar da Galiléia"

e Jesus a tudo observava.




Um dia, no início de 2001, encontrei no portão de casa 

um envelope rosa, estranho, que tinha como remetente 

um presidiário da P1 de Avaré. O Destinatário, curiosamente,

reproduzia os dados de um antigo carimbo de literatura.

Seis anos foram o longo tempo que levou uma semente, (folheto/Evangelho de S. João) para brotar. Um "pão" de

seis anos.




Ao ler a carta e ver os dados do carimbo eu percebera que

Deus estava falando comigo.Ao compreender que aquela

carta era o brotar da primeira semente de uma semeadura

de seis anos, um tempo muito longo para uma semeadura 

que onde nada havia brotado, chorei, e alegrei-me no Espírito.




Eclesiastes 11:1 surgiu em meu coração como se alguém

o marcasse com um ferro em brasa: Lança o teu pão sobre 

às águas, porque depois de muitos dias o acharás. Na 

tradução literal: Lança a tua semente sobre as águas...




Este foi o começo de um ministério de dois anos e meio.

Mais de meia tonelada de literatura usada recolhida e 

despachada para 30 penitenciárias diferentes dentro do 

Estado de São Paulo. Mais de 500 cartas recebidas e 800 

enviadas. Desempregado e solitário na Igreja, aquela 

ocupação caiu do céu para ocupar-me até o início de meus 

dias de novo emprego.




Se por um lado foram aproximadamente 11 anos de deserto, principalmente financeiro, foi também o período em que mais

busquei a presença do Senhor. Eu era como um grão de areia 

dentro da ostra em um processo de criação de uma pérola. 

Ainda não sou a pérola, mas passei por um polimento rigoroso.




Vejo com muita preocupação os dias da Igreja Evangélica 

brasileira. Todo ano são centenas e centenas de ministérios 

abertos, de todas as correntes, matizes, ideologias e 

idiossincrasias. Somos muito divididos e pouco coesos. 

A julgar pelo Evangelho, "reinos" divididos são reinos 

enfraquecidos. Enquanto isso mais de uma centena de milhões

de brasileiros ainda não tiveram um encontro verdadeiro com

Deus. Eles estão famintos, mas não confiam em nós. Com 

muita justiça, nossa imagem perante eles é de uma avareza 

e hipocrisia ímpares.




Há um evangelho "água de batata" sendo pregado na terra 

do café. Ele faz comichão nos ouvidos das pessoas porque 

elas gostam de ouvi-lo. São palavras lindas de se ouvir: 

Vitória! Bênção! Ouro e prata! Portas abertas! Carrões,

mansões, viagens ao exterior! Ô maravilha!




Um evangelho de palavras! Focado em testunhos de 

prosperidade de A, B e C. A publicidade está direcionada 

para homens de sucesso. Isto não passa de castelos 

construídos na areia e com a areia da praia. Quando o "rei" 

do castelo cai, o estrago não pode ser medido. Jesus ficou

fora do foco e isso é um mau sinal.




Estive lendo "Aurora" de Nitchzsche esta semana. Ele fala 

uma linguagem muito apreciada pelos não crentes, pelos

crentes desviados. Ele estudou teologia numa escola que 

poucos tiveram e têm o privilégio de estudar. Pais luteranos, 

estudou Teologia e Filosofia na Universidade de Bonn. Cumpriu literalmente em Nitchzsche este versículo bíblico "A letra mata, 

mas o Espírito vivifica.




Nitchzsche não teve a oportunidade de um encontro verdadeiro

com Jesus. Se teve, com certeza deve tê-la desprezado. Ele deu testemunho do apóstolo Paulo, segundo ele o homem que atirou 

ao mar boa parte do lastro do judaísmo pelas bordas do navio do cristianismo para conseguir navegar por águas gentílicas. 

Nitchzsche testemunhou que, se não fora o ímpeto do apóstolo 

Paulo, já há muito não se falaria do cristianismo. O interessante

é que Nitchzsche como teólogo tinha um potente "telescópio" 

para ver com muito mais acuidade que qualquer outro. Mas ele

era completamente cego. Não cria no Espírito Santo. Achava 

que Paulo foi o motor que impulsionou o cristianismo até os

nossos dias. Paulo pode até ter sido o motor, mas não era o combustível, a energia - assunto tão prioritário em nossos dias.




Paulo dizia claramente que não pregava um evangelho de

palavras persuasivas de retórica humana. Ele fazia questão

de afirmar que pregava um Evangelho de poder, de 

arrependimento, de sinais e milagres. O Evangelho da diferença,

o Evangelho que faz o pecador sentir a presença de Deus. 

O Evangelho do arrependimento e do compromisso. É por isso

que estamos passando por dias ruins, estamos presenciando

a busca por um evangelho pragmático.




Estamos presenciando um paradoxo em nosso meio evangélico. 

Nunca tivemos tanto, mas continuamos famintos. Ministérios,

mansões, carrões, megatemplos, megaeventos, superpregadores, 

mas o povo continua faminto da presença de Deus.




É como dizia um pregador: É preciso ter para poder dar! Quem

não tem a presença de Cristo na própria vida, não tem nada para semear, a não ser palavras de um falso evangelho, que parece, 

mas não é!




Por isso não se engane com palavras bonitas, compre as

verdadeiras sementes em um processo de aproximação 

constante do Senhor. Alguém tem que fazer o trabalho duro, 

este alguém pode ser você. Há uma multidão de famintos 

em nossa nação, são muito exigentes: eles detestam o pão 

dos exploradores da fé. Há muita pregação e pouco Evangelho.

Muito espetáculo e pouca colheita. Se hoje ouvires a voz do 

Espírito: semeie, pregue, ensine, louve, reparta, ore - AJA! 




João Cruzué
Blog Olhar Cristão
cruzue@gmail.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Voltei, desculpem a demora!

a demora[Pb.+Josu%C3%A9.JPG] A Paz do Senhor. Depois de "alguns" dias ausente, O Senhor me permitiu retornar as postagens neste blog. Confesso que estava saudoso em fazê-lo, pois me é gratificante ser útil, ser servo de Jesus e de Sua Igreja.
Traga hoje dois assuntos distintos, mas atraentes e merecem nossa atenção reflexão. Um fala de Evangelização e o outro envolve a ortodoxia, a doutrina, a fé... a salvação, e esta última, não a minha , mas a do autor da matéria, Pr. Ricardo Gondim. Em minha meninice e sob influencia de quem o admirava, "defendia", entre meus irmãos "Evangélicos" no litoral cearense, como um grande pensador nacional e cristão (eles agora é que discordam mesmo!). Hoje publico seu artigo para que vocês mesmos formem suas opiniões, ou melhor, suas defesas da fé que uma vez foi entregue aos santos!
Boa leitura, e não esqueça de comentar. Deus os abençoe!




Nos laços do Calvário, Pb. Josué Ramos.

Culto Evangelístico - Faça algo Extraordinário


15/02/2011 12:55h
“...Então aqueles que temeram ao SENHOR falaram freqüentemente um ao outro; e o SENHOR atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o SENHOR, e para os que se lembraram do seu nome. E eles serão meus, diz o SENHOR dos Exércitos; naquele dia serão para mim jóias; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve. Ref: Malaquias 3.13-18.

Você quer que algo extraordinário aconteça na sua vida? A palavra extraordinário significa algo fora do comum, algo impactante, alguma coisa diferente do trivial.

No casamento por exemplo, é importante que a esposa faça algo extraordinário para o marido. Talvez um arranjo floral para a mesa, uma decoração diferente no quarto, uma roupa especial um enfeito no cabelo.
 
 Da mesma forma o marido, deve fazer algo admirável – um jantar à luz de velas, uma viagem surpresa, dar um dinheiro, comprar um presente.
 

O que acontece quando alguém faz algo extraordinário pra você? O normal é que você retribua.
 
 Fazer coisas imprevisíveis, fora de datas especiais é impactante. O extraordinário, não se espera, quando fazemos algo diferente, obtemos coisas diferentes também.

Todos os homens que agiram extraordinariamente na Bíblia, também receberam ações extraordinárias. Quem age acima da média, tem retribuição acima da média.
 

Veja com Abraão, a história dele é contada e respeitada, por mulçumanos, católicos, evangélicos, judeus. Por quê? Porque Deus disse a ele que saísse da sua terra e parentela e Abraão obedeceu, indo para uma terra desconhecida, deixando para trás, sua casa, bens e família.
 

A história de Daniel encontra-se registrada na Palavra de Deus por sua fidelidade ao Senhor, mesmo diante da ameaça de ser jogado na cova dos leões. Ele preferia morrer a se curvar perante qualquer deus ou autoridade e por agir extraordinariamente, Deus fez com que a boca dos leões fosse fechada, quando este foi lançado na cova dos leões.
 
 Hoje vemos canções, livros, crianças que se chamam Daniel, pela atitude desse homem. Ele fez algo que não era comum, no meio da podridão manteve-se intocável.

Veja o caso de José – Ele foi traído, humilhado, vendido, preso, feito escravo, mentiram contra ele, foi injustiçado e mesmo assim não blasfemou, tão pouco tocou na esposa de Potifar. Ele poderia conciliar duas vidas, sendo servo na frente do comandante, e amante na ausência dele, mas a Bíblia diz que quando a mulher de Potifar tentava seduzi-lo, ele não cedeu à tentação por que tinha temor de Deus. José preferiu sofrer a pena a pecar. Ele fez algo extraordinário, não se entregando e manteve-se limpo.

Talvez você esteja para perder seu emprego, ou o seu patrão esteja te assediando e você esteja quase cedendo, não desanime. Faça algo extrarodinário, resista às ciladas do diabo.
 
 A sua atitude extraordinária, irá fazer Deus tratar você de forma especial. Fui criador de pombos, tinha aproximadamente 2.000 aves. Nunca matei um sequer. Não tinha um sábado que um laboratório, não fazia ofertas para que eu os vendesse. Eu não vendia, não dava, nem emprestava. Usava sapatos velhos, mas comprava a comida deles.
 
 Deus estava me testando, Ele enxerga lá na frente e sabia que eu seria um pastor. Lembrei da minha história com os pombos, quando fui ordenado. Deus usou a vida do Pastor Altair Monteiro e de outra pessoa dizendo: “Vi que você nunca esfolou os pombos que Eu te confiei.”
 Se no seu local de trabalho, todo mundo mente, faz coisas erradas, seja diferente. Talvez você esteja solteira (o), e todos incentivam você a pegar o primeiro (a) que aparece, não ceda.

Veja a postura de Zaqueu – Jesus passava, curando os enfermos e aquele homem baixinho, tentava ver Jesus, como não conseguia, o maioral dos publicanos sobe numa árvore para ver o Mestre passar. Zaqueu fez algo extraordinário. Diante disso, Jesus ofereceu-se para ir à sua casa e transformou a história daquele homem pecador.
 
 
O Cego de Jericó também agiu de maneira especial, Ele gritava: “Jesus filho de Davi tem misericórdia de mim.” Ao escutar seu clamor as pessoas queriam que ele parasse de gritar, mas ele continuava. 
 [b]Noé foi um homem fora do comum[/b]. Diante da ordem aparentemente impossível de ser cumprida, ele não discutiu com o Senhor e construiu uma arca, colocando milhares de animais de diferentes raças dentro dela. Por sua atitude extraordinária, Deus o salvou e também a sua família do dilúvio. Entenda: Se você quer algo extraordinário, faça algo extraordinário.

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 Pr. Jorge Linhares - Mensagem ministrada no Culto Evangelistico (06-02)


POLÊMICA : 'Deus nos Livre de um Brasil Evangélico',

Pastor Ricardo Gondim é um dos mais renomados teólogos brasileiros, presidente da Assembléia de Deus Betesda e requisitado conferencista. Apresenta o Programa "Reflexões" na Rádio AM Nova Difusora é colunista de vários veículos de comunicação e autor premiado de vários livros

15/02/2011 11:56h
Confira o artigo:


Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.


Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que osevangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.


Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar "crente", com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).


Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.


Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?


Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?


Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.


Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.


Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?


Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.


Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.


Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.


Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.


Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.


O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.


Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.


Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.


Soli Deo Gloria


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