quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Lança teu pão sobre as águas


Lança o teu pão sobre as águas






espigas de trigo



Não posso esquecer a emoção que senti quando ouvi a 
voz silenciosa do Espírito Santo falando em mim. Eu acabara 
de receber uma carta e ainda estava com ela nas mãos. Vou
contar outra vez este fato, pois faz parte das boas coisas que aconteceram em minha vida durante um período de deserto. 






De 1994 a agosto de 2000 eu cuidei de uma congregação.

Por motivos pessoais licenciei-me da Igreja para atender um compromisso familiar. Seis meses depois de volta a São Paulo

comecei a passar uma temporada de solidão ministerial. 

Entendo que estava "atravessando" de barco o "Mar da Galiléia"

e Jesus a tudo observava.




Um dia, no início de 2001, encontrei no portão de casa 

um envelope rosa, estranho, que tinha como remetente 

um presidiário da P1 de Avaré. O Destinatário, curiosamente,

reproduzia os dados de um antigo carimbo de literatura.

Seis anos foram o longo tempo que levou uma semente, (folheto/Evangelho de S. João) para brotar. Um "pão" de

seis anos.




Ao ler a carta e ver os dados do carimbo eu percebera que

Deus estava falando comigo.Ao compreender que aquela

carta era o brotar da primeira semente de uma semeadura

de seis anos, um tempo muito longo para uma semeadura 

que onde nada havia brotado, chorei, e alegrei-me no Espírito.




Eclesiastes 11:1 surgiu em meu coração como se alguém

o marcasse com um ferro em brasa: Lança o teu pão sobre 

às águas, porque depois de muitos dias o acharás. Na 

tradução literal: Lança a tua semente sobre as águas...




Este foi o começo de um ministério de dois anos e meio.

Mais de meia tonelada de literatura usada recolhida e 

despachada para 30 penitenciárias diferentes dentro do 

Estado de São Paulo. Mais de 500 cartas recebidas e 800 

enviadas. Desempregado e solitário na Igreja, aquela 

ocupação caiu do céu para ocupar-me até o início de meus 

dias de novo emprego.




Se por um lado foram aproximadamente 11 anos de deserto, principalmente financeiro, foi também o período em que mais

busquei a presença do Senhor. Eu era como um grão de areia 

dentro da ostra em um processo de criação de uma pérola. 

Ainda não sou a pérola, mas passei por um polimento rigoroso.




Vejo com muita preocupação os dias da Igreja Evangélica 

brasileira. Todo ano são centenas e centenas de ministérios 

abertos, de todas as correntes, matizes, ideologias e 

idiossincrasias. Somos muito divididos e pouco coesos. 

A julgar pelo Evangelho, "reinos" divididos são reinos 

enfraquecidos. Enquanto isso mais de uma centena de milhões

de brasileiros ainda não tiveram um encontro verdadeiro com

Deus. Eles estão famintos, mas não confiam em nós. Com 

muita justiça, nossa imagem perante eles é de uma avareza 

e hipocrisia ímpares.




Há um evangelho "água de batata" sendo pregado na terra 

do café. Ele faz comichão nos ouvidos das pessoas porque 

elas gostam de ouvi-lo. São palavras lindas de se ouvir: 

Vitória! Bênção! Ouro e prata! Portas abertas! Carrões,

mansões, viagens ao exterior! Ô maravilha!




Um evangelho de palavras! Focado em testunhos de 

prosperidade de A, B e C. A publicidade está direcionada 

para homens de sucesso. Isto não passa de castelos 

construídos na areia e com a areia da praia. Quando o "rei" 

do castelo cai, o estrago não pode ser medido. Jesus ficou

fora do foco e isso é um mau sinal.




Estive lendo "Aurora" de Nitchzsche esta semana. Ele fala 

uma linguagem muito apreciada pelos não crentes, pelos

crentes desviados. Ele estudou teologia numa escola que 

poucos tiveram e têm o privilégio de estudar. Pais luteranos, 

estudou Teologia e Filosofia na Universidade de Bonn. Cumpriu literalmente em Nitchzsche este versículo bíblico "A letra mata, 

mas o Espírito vivifica.




Nitchzsche não teve a oportunidade de um encontro verdadeiro

com Jesus. Se teve, com certeza deve tê-la desprezado. Ele deu testemunho do apóstolo Paulo, segundo ele o homem que atirou 

ao mar boa parte do lastro do judaísmo pelas bordas do navio do cristianismo para conseguir navegar por águas gentílicas. 

Nitchzsche testemunhou que, se não fora o ímpeto do apóstolo 

Paulo, já há muito não se falaria do cristianismo. O interessante

é que Nitchzsche como teólogo tinha um potente "telescópio" 

para ver com muito mais acuidade que qualquer outro. Mas ele

era completamente cego. Não cria no Espírito Santo. Achava 

que Paulo foi o motor que impulsionou o cristianismo até os

nossos dias. Paulo pode até ter sido o motor, mas não era o combustível, a energia - assunto tão prioritário em nossos dias.




Paulo dizia claramente que não pregava um evangelho de

palavras persuasivas de retórica humana. Ele fazia questão

de afirmar que pregava um Evangelho de poder, de 

arrependimento, de sinais e milagres. O Evangelho da diferença,

o Evangelho que faz o pecador sentir a presença de Deus. 

O Evangelho do arrependimento e do compromisso. É por isso

que estamos passando por dias ruins, estamos presenciando

a busca por um evangelho pragmático.




Estamos presenciando um paradoxo em nosso meio evangélico. 

Nunca tivemos tanto, mas continuamos famintos. Ministérios,

mansões, carrões, megatemplos, megaeventos, superpregadores, 

mas o povo continua faminto da presença de Deus.




É como dizia um pregador: É preciso ter para poder dar! Quem

não tem a presença de Cristo na própria vida, não tem nada para semear, a não ser palavras de um falso evangelho, que parece, 

mas não é!




Por isso não se engane com palavras bonitas, compre as

verdadeiras sementes em um processo de aproximação 

constante do Senhor. Alguém tem que fazer o trabalho duro, 

este alguém pode ser você. Há uma multidão de famintos 

em nossa nação, são muito exigentes: eles detestam o pão 

dos exploradores da fé. Há muita pregação e pouco Evangelho.

Muito espetáculo e pouca colheita. Se hoje ouvires a voz do 

Espírito: semeie, pregue, ensine, louve, reparta, ore - AJA! 




João Cruzué
Blog Olhar Cristão
cruzue@gmail.com

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