segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mais de 2.000 fetos são encontrados em templo budista.

Milhares de fetos humanos, provenientes de clínicas onde são realizados abortos clandestinos, foram descobertos pela polícia tailandesa em um templo budista em Bangkok, Tailândia.
As autoridades da Tailândia encontraram 2.000 fetos humanos, provavelmente provenientes de abortos ilegais, em um templo budista do país. A prática é proibida pela legislação local, a menos que a mãe tenha sido estuprada ou corra risco de morrer. A informação foi confirmada pela polícia nesta sexta-feira (19).
Na última terça-feira (16), a polícia já havia anunciado a descoberta de 348 fetos, envoltos em sacolas plásticas e jornais velhos, no necrotério do templo, onde são mantidos os cadáveres antes da cremação. Depois, mais 1.654 foram encontrados em condições semelhantes em outras salas do necrotério.
O coronel da polícia Metee Rakphan disse que a suspeita é que os fetos venham de clínicas que fazem abortos ilegais. Segundo Sombat Milintajinda, porta-voz policial, alguns estavam armazenados no local há mais de um ano.
Dados do Ministério da Saúde tailandês dão conta de que 80 mil abortos ilegais ocorram por ano no país.
O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, estimou que o episódio "mostra quão grave é o problema", mas descartou modificar a lei que proíbe o aborto, afirmando que esta é "suficientemente flexível".

Dinamarca: Uma vergonha Mundial























domingo, 28 de novembro de 2010

Oh, meu Deus, o Senhor é maravilhoso! Maranata! Ó vem, Senhor nosso!

 Por Alberto Couto Filho

Antes de dar um título a esta mensagem, estava confuso; tinha dúvidas  sobre o uso da interjeição“OH” ou do “Ó”, como interjeição do vocativo.
Confesso aos meus leitores queridos que meus boletins escolares sobre a lingua mãe, vez por outra, acusavam minha baixa frequência às aulas de português – aula de análise sintática? “Tava fora”, merendando!
Hoje, muitos concordam, melhorei muito – tanto que, à duras penas, consegui escrever um livro! Tem gente que, até, me alcunhou de “Alberto Culto” pilheriando, estuporosamente, em escritos rebuscados, sobre a minha linguagem castiça.
Acabara de ler a intimorata e esclarecedora postagem do nobre pastor Gualter Guedes, em seu abençoado espaço virtual, sob o título “DE PASTORES E LOBOS” – simplesmente mirífica! 
O pastor Gualter Guedes é palestrante, conferencista e escritor, autor do livro “JEJUM BÍBLICO”, obra prefaciada pelo insigne Pastor Levy Conde. Para conhecer a obra, basta acessar o seu blog.
De todas as diferenças apontadas entre pastores e lobos(quarenta e duas), quatro delas chamaram a minha atenção, em razão de fatos ocorridos hodiernamente.  Preciso citá-las para desencadear um raciocínio lógico  na sequência  da postagem:
1-    Pastores são pessoas humanas reais, enquanto que oslobos são personagens religiosos caricatos;
2-    Pastores trabalham em equipe, enquanto que lobos são prima-donas
3-    Pastores buscam a glória de Deus, enquanto que os lobos buscam a glória pessoal;
4-    Pastores são apascentadores, enquanto que os lobos são marketeiros;
Fui ao “pai dos burros” para rever os significados daquelas interjeições, e, através da Internet, esclareci minha dúvida.
“Ó” é uma expressão indicativa de apelo, chamado ou interpelação e, desta maneira, o seu uso assinala a presença de um diálogo que pode ser real ou imaginário.
Este vocativo é conhecido até mesmo na letra do Hino Nacional Brasileiro – “Ó Patria amada, idolatrada, salve, salve”; posso invocar Deus: Ó meu Jesus, o que fazer com os lobosÓ Pai, repreende esses canídeos!
No entanto, não podemos confundir esta interjeição com o“OH”, que expressa espanto, admiração ou uma forte emoção – OH, Deus Altíssimo! OH, falsos mestres! OH, !
Perceberam aquela vírgula depois do “OH”? Pois é, ela não é usada depois do “Ó” - O certo é a vírgula ficar antes da interjeição e/ou depois do ser chamado: "Ó Senhor, volte logo", "Volte logo, ó Senhor, porque os lobos estão soltos.
Clarisse Lispector, espantada ou admirada, questiona Deus, em frase célebre, talvez até para advertir-nos de que todos buscam a felicidade, e de que essa é a motivação de toda ação de qualquer pessoa, até das que se enforcam, corroborando os ditos de John Piper:
Oh, Deus que faço dessa felicidade ao meu redor que é eterna, eterna, eterna e que passará daqui a um instante – porque o corpo só nos ensina a ser mortal?”
Não pensem que vou recorrer a autores ou críticos literários para melhor entendimento desta frase.
Não agirei como, por certo, fariam esses “lobos”, ápices predadores, prima-donas, blasonadores e marketeiros de editoras que, para exaltarem seus próprios méritos, reportam-se a A.W.Tozer, C.S.Lewis, Henri Nouwen, Pearman, Horton, a Hank Hanegraaff o consabido plagiador (ladrão literário) de Walter Martin, e a outros tantos e mais, para comentarem sobre temas bíblicos importantes como, por  exemplo: a transcendência de Deus, a humanidade de Cristo.
Os lobos personagens religiosos caricatos, também marketeiros, comentam sobre temas edificantes (?) como“O relacionamento sexual entre Adão e Eva”. Estes, como aqueles, estão doentes, precisando urgentemente dos cuidados do Médico dos médicos, o único que pode curar esse tipo de morbidez, esta visão amarga que têm das suas vidas. A-
Por tudo isso, vou mesmo é sair à procura do orador que discursou sobre o Criador, na formatura do Curso de Medicina da PUC – PR/2010.
Segundo a abençoada irmã Dorcas Oliveira, a mensagem foi lida por alguém que atende ao IDE de Jesus, sem deitar falação sobre deismo, teísmo aberto, triunfalismo e outros “ismos”, assuntos inadequados para quem está no campo, com as mãos no arado, pregando o Evangelho, missionando e difundindo a fé em Jesus.
Ele, como o Dr. Lucas, é apenas um médico que falou sobre o Deus que os “de fora” precisam conhecer – aqueles a quem Paulo sugere que falemos da nossa fé, simples, sábia e persuasivamente, a fim de que eles possam ser trazidos à plenitude de vida em Cristo – “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades.” – “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.” (Cl 4:5,6)
Estou confuso, novamente – o que digo? “Ó” ou “Oh”?  Já sei! Vou usar as duas formas no título da mensagem:
Oh, meu Deus, o Senhor é maravilhoso!
Maranata! Ó vem, Senhor nosso!

A TPM "nossa" de cada dia.

As mulheres que me desculpem, mas agora vou falar de assunto de homem: TPM. Eis um tema espinhoso – perigoso, melhor dizendo –, não recomendado para marmanjos sensíveis ou de nervos frágeis. Começo defendendo a tese (de minha autoria) de que as maiores vítimas da famigerada Tensão Pré-menstrual não são as mulheres. A despeito da sensação de estar à beira de um ataque de nervos e da cara de poucos amigos – entre outros efeitos que só Deus é capaz de decifrar –, não são elas as mais torturadas pela impiedosa síndrome. Somos nós, homens indefesos, as maiores vítimas da dita-cuja.


Especialistas no assunto atestam que a TPM acomete 75% das mulheres. Mas há quem diga que apenas 35% dos casos são considerados de “alta periculosidade” – para nós, é claro. A propósito, creio que se houver alguma leitora aí vivendo os seus “dias tenebrosos” posso estar correndo risco de linchamento só pela audácia de falar de algo que, organicamente, não me diz respeito.


A TPM é também chamada de Síndrome Disfórmica Pré-menstrual (até o nome assusta), causada por uma disfunção hormonal. Detalhe: dizem que fica mais intensa com o passar dos anos. A fase crítica ocorre entre os 45 e 50 anos, com a proximidade da menopausa. É isso mesmo, irmão, a coisa ainda pode ficar pior para o nosso lado.

Tudo bem, por misericórdia de Deus, os homens não precisam menstruar. Mas, quem sabe por justiça divina, estamos, por outro lado, fadados a sofrer sob a alça de mira das três letrinhas que resumem, precisamente, o estado em que nossas amadas ficam com os nervos à flor da pele. Quem é casado ou tem namorada sabe do que eu estou falando. Ao menor passo em falso e lá vem uma bordoada certeira, ou um choro inexplicável que nos corta o coração, ou mesmo aquele olhar tristonho que te faz sentir-se uma ameba insensível.

Gosto de contrariar a ciência. Por isso, também tenho minhas três letrinhas para definir a tensão que acomete as mulheres no período pré-menstrual: IAF, ou Indecifrável Apaixonante Feminilidade. Confesso: sou uma vítima fascinada por “minha algoz”.

Dia desses, minha mulher estava com TPM. Evidentemente que eu só me dei conta depois de algumas reações típicas da fase. “Você não me com preende”, disparou ela. Existe frase mais desesperadora de se ouvir de alguém que você julga com preender como nin guém? Mas é justamente nesse universo que habita o mistério: a TPM é a certeza de que todos os meses nós, homens, temos o privilégio de descobrir algo novo em nossas amadas. A tentativa de decifrar a “metamorfose” mensal delas, mergulhar mais fundo no seu mundo, é uma aventura perigosa, mas, no fim das contas, prazerosa.

Percebi que a TPM é para as mulheres como o álcool para algumas pessoas: depois de algumas doses, funciona como revelador de angústias e verdades. E é aí que a mesmice do relacionamento perde terreno. É o momento de focarmos nossos esforços na tentativa de decifrar o indecifrável, resignados a ser, para elas, um homem melhor a cada mês. Muitos de nós, claro, desistem no meio do caminho e atribuem a culpa a elas, quando o fracasso é unicamente nosso.

Enfim, viva a TPM, nosso exercício mensal de amor e paciência! Somos as suas maiores vítimas? Sim. Viva o meu lado masoquista.

Que venham as pedras ...

– Pastor?! Mas com esse cabelo de hippie?!
A frase foi direcionada a mim, embora não compreenda o que meu cabelo espetado (ver foto) tenha a ver com as madeixas, geralmente compridas, dos hippies.
Pensei: – Não tem jeito, de uma forma ou de outra, o título de pastor nos faz alvo de críticas.
– Pois é, apesar do cabelo, sou pastor sim – respondi, educadamente àquela surpresa senhora, que, a meu ver, não tem muita simpatia pelos hippies (ou seria pelos pastores?).

Nunca em meus tempos de juventude sonhei em ser pastor. Não quis, não planejei, não pedi, ou mesmo nutri forte admiração por algum representante da espécie. Mas, evidentemente, essa história mudou. Um belo dia, flagrei-me em oração, admitindo diante de Deus meu desejo de pastorear, de pregar, de mentoriar pessoas, de cuidar de “gentes”, de servir. Ri de mim mesmo; lembrei-me do velho homem, sempre crítico e severo em relação a tudo que dissesse respeito a Deus. Como o mundo dá voltas! E tolos são aqueles que ficam inertes enquanto o mundo gira.

Não por mim, mas por vontade soberana do Senhor – assim eu creio – aconteceu. Tornei-me pastor em uma época em que ser um deles é amargar toda sorte de comentário malicioso. “Pastor é tudo picareta”; “Só sabe tirar dinheiro dos bestas”; “Vivem fazendo lavagem cerebral nas pessoas”..., falam alguns, mesmo sem saber por quê. Para mostrar intelectualismo, talvez.

E eu com isso? Ora, eu aprendi com Jesus que amar a quem nos ama é fácil, mas é preciso amar àqueles que nos desejam mal. Aprendi com Cristo também que o evangelho deve ser pregado a todos, sem acepção de pessoas. Mas, como pregar a quem te ridiculariza, te falta com respeito, te ignora, faz chacota de ti pelas costas? Fora da igreja (lá é fácil receber cumprimentos e o amor dos irmãos) é exatamente o que eu vivo todos os dias, seja no meu trabalho secular ou em outros cantos.

Desânimo? Às vezes bate, sim. Mas não dura muito, porque lembro Daquele que não pensou duas vezes em ser achincalhado, chicoteado, humilhado, morto..., por minha causa. Lembro de quem eu era e de quem eu sou, por causa Dele. Minha alma sorri. Oro, peço sabedoria e oportunidades de pregar àqueles que não querem ouvir. Consolo-me ao lembrar que um dia eu também não o quis, e também chamei pastor de ladrão. Hoje falo de Cristo com a convicção de quem conhece os dois lados da moeda. Quisera todos se permitissem conhecer antes de emitir opiniões. Ah, se eu tivesse falado menos e conhecido mais. Não teria perdido tanto tempo.

Pois é, apesar das pedras e dos rótulos, ser pastor é uma alegria e uma honra. Que venham as pedras e caiam os rótulos. Vamos em frente, marchando para o alvo.
                                                                                   Clovis Cabalau.

Você acredita mesmo na existência do céu??

"A nossa cidade está nos céus, de onde também 
esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo".
Tenho um privilégio do qual procuro desfrutar o máximo possível. São as belezas naturais da cidade onde moro com a família. Elas encantam turistas e atraem forasteiros que aqui chegam e não mais querem retornar. Das janelas de minha casa, no alto da colina, avisto ao longe as montanhas, entre as quais se destaca o dedo de Deus pelo qual Teresópolis é conhecida em todo o mundo. A magnífica visão enternece a minha alma de poeta e libera o espírito para voar nas asas líricas das palavras que constroem poemas e revestem de concretude a realidade materialmente intangível das coisas eternas.

Foi assim dia desses já há alguns anos. Após ficar horas a fio contemplando este quadro, meus olhos se elevaram um pouco mais e alcançaram a dimensão etérea descrita nos dois últimos capítulos do Apocalipse. O cenário das ruas de ouro, dos muros adornados de pedras preciosas, da glória de Deus que ilumina as mais distantes extremidades, povoou a minha mente. Ao mesmo tempo, fui tomado pelas questões existenciais que, vez ou outra, escapam dos precipícios do subconsciente e vêm digladiar-se na explosão dos raciocínios que percorrem o cérebro. “E se não existir céu?”, gritou lá do fundo um intruso existencialista.

Nessas horas, todavia, quando se mantém um relacionamento constante e proveitoso com a Palavra de Deus, um dos papéis do Espírito Santo é pôr ordem na casa e trazer à memória os argumentos que destroem a mais arguta dúvida existencial. Não foi diferente comigo. Ele usou a própria visão panorâmica que se espraiava diante de meus olhos para reafirmar a certeza da fé: “Tem de existir céu!”

Foi aí que pensei: “Não é possível que a criatividade de Deus se restrinja apenas a esses vales e montanhas, rios e mares, cachoeiras e maciços que vicejam na Terra”. Fui um pouco mais além: “É inadmissível acreditar que a imensidão criativa do Altíssimo se restrinja ao nosso sistema solar e aos astros que compõem a nossa Via Láctea, bem como às demais galáxias que preenchem o Universo. Deus seria pequeno”. O espaço em que vivemos e a dimensão sideral, onde se voa a anos-luz,  testemunham à nossa consciência que em algum lugar acima das estrelas há lugares preparados para os que foram alcançados pela graça.

Veio também ao meu coração outra realidade. Somos acostumados a olhar o céu como escapismo para o duro dia a dia dos sofrimentos terrenos. É óbvio que a expectativa de deixar para trás as angústias que cercam a existência se inclui entre os fatores que constituem o ideal de todo o cristão. É bíblico que as lágrimas não mais existirão na cidade santa. Mas a esperança no amanhã com Deus deve ser, também, analisada sob outro ângulo. O da qualidade de vida desfrutada no planeta Terra e a que será vivida em toda a sua dimensão no céu.

Em que pesem as agruras provocadas pelo pecado, ainda assim não há como negar que é bom demais desfrutar das riquezas que a natureza oferece. Pelo menos, eu gosto. Quem não aprecia, por exemplo, passar horas e horas ao sol, sentindo escorrer pelo corpo as águas frias e cristalinas de uma cachoeira? Ou subir as montanhas e aguçar o olfato para sentir o aroma silvestre das matas? Quem não se sente bem em caminhar pelas praias e ouvir o bulício das ondas que batem nos pés? Mesmo Jesus, 100% humano, experimentou com certeza esta sensação nas areias do mar Mediterrâneo e do mar da Galiléia. E acredito que, por não ser apenas semelhante, mas como um de nós, tenha gostado muito. Eu gostei, quando ali estive com minha esposa, conduzindo grupos de peregrinos brasileiros algumas vezes. Quem não se contagia ao contemplar a infinidade de peixes de variados matizes colorindo o fundo dos oceanos, como no Observatório Submarino de Eilat, no mar Vermelho, no extremo sul de Israel? Ou acompanhar ao longe a alegre sinfonia dos pássaros nas florestas? E o que mais poderia eu acrescentar? A lista é infindável.

Pois bem. Tais possibilidades reais que, hoje, dão sentido a expectativa de cada um são apenas vislumbres esmaecidos da qualidade de vida que os redimidos desfrutarão na presença de Deus. Com uma vantagem: sem os sofrimentos que marcam a trajetória terrena, os quais podem ser vencidos por causa d'Aquele que os venceu na própria carne. Portanto, ao invés de ser olhado como escapismo, o céu é a plena realização dos propósitos divinos para o homem em seu estado original, no jardim do Éden. É a concretização última da esperança do cristão, que, enquanto na Terra, desfruta em escala ínfima das boas coisas que Deus preparou para o ser humano. Apesar do pecado.

Enquanto continuava a contemplar as montanhas que cercam a cidade, e as flores que adornam o jardim em frente à casa, o Espírito Santo trouxe à tona outros argumentos. Entre eles o da tendência inata ao ser humano de desejar a todo custo a imortalidade. A morte contraria, sob todos os aspectos, a lógica da vida. Aquela implica na cessação desta, segundo a visão equivocada existencialista. Todavia, esta tendência inata atua de tal modo que tudo se faz para adiar a morte. Que o digam os modernos equipamentos de diagnose, capazes de rastrear uma doença grave em seu início e criar todas as condições médicas para erradicá-la. 


Passei por esta experiência em 2009, quando fui diagnosticado com câncer de próstata em fase inicial.  Ao informar-me dos resultados, o médico disse que alguns pacientes preferiam "rezar" e simplesmente fazer o acompanhamento, enquanto outros preferiam a solução radical: cirurgia imediata. Respondi-lhe então que faria as duas coisas: "rezaria", e se houvesse a intervenção sobrenatural, esta teria vindo "de lá"; se fosse através de cirurgia, também, de igual modo, a recuperação viria "de lá". E se o resultado fosse diferente do desejado,  sob o nosso ponto de vista, eu iria "para lá". Qualquer que fosse o desfecho, para mim não faria diferença. porque, vivendo ou morrendo, seria em razão daquele que "está lá". A verdade é que aqui estou, mais de um ano e três meses depois da cirurgia, plenamente recuperado, mas com a consciência ainda mais vívida e convicta de que algum dia o Senhor me chamará para, em definitivo, morar "com ele lá".

No entanto, esta característica inata de não "desejar" a morte, peculiar a cada mortal, é a confirmação, do lado humano, não só do que a Bíblia diz acerca da existência da vida após a morte, mas também da realidade do céu. E do inferno. Pois justos e injustos terão destinos diferentes. Assim sendo, mesmo como cristãos, quando lutamos para preservar a vida, empregando todos os recursos da medicina ao nosso dispor, há um testemunho implícito de que o homem foi criado para viver eternamente e desfrutar do plano original de Deus agora restaurado no céu. Para chegar lá, todavia, dependerá de sua atitude ante à obra redentora de Cristo - 100% humano - realizada no Calvário. É aqui onde se realiza a travessia entre a Terra e a cidade celestial.


Meu coração, naquele dia, não suportou o peso da convicção espiritual. Bastou para que as dúvidas existenciais evaporassem da minha mente. Elas desejarão dar o ar de sua graça outras vezes, mas, como agora, encontrarão o chão da minha confiança no Altíssimo irrigado pela Palavra. “Tem de existir céu!”, bradei no silêncio da tarde. Lágrimas começaram a rolar pela face. Enquanto contemplava ao longe o dedo de Deusapontando para cima, e apreciava o sol esconder-se atrás das montanhas, concluí, glorificando a Deus: “Se aqui já podemos experimentar por antecipação as glórias do céu, que diremos daquele dia, quando tomaremos posse de toda a sua concretude?” E listei os seguintes pontos:

1. Não pretendo ir para o céu como fuga da realidade presente, mas por ser o ápice do propósito de Deus para a realização do homem.

2. Enquanto vida física tiver, pretendo desfrutar ao máximo as coisas boas que Deus criou, pois elas revelam em menor instância o que me aguarda no porvir.

3. A esperança do céu não me torna alienado na Terra.  Pelo contrário, exige pleno comprometimento com o evangelho, que garante as bênçãos futuras, mas tudo faz para minorar o sofrimento presente e antecipar, aqui e agora, uma excelente qualidade de vida em Cristo.

4. Enquanto este dia não chega, seja através da morte, seja através do encontro pessoal com Cristo em sua vinda, é meu dever preservar a vida, cuidando exemplarmente de minha saúde, pois este desejo inato que me proporciona viver aponta para a realidade futura do céu.

5. Devo viver todos os dias na expectativa de que minha entrada no céu pode estar tão perto quanto eu estou de minhas atividades diárias. Em razão disso, vivendo ou morrendo, procuro, agora, mais do que nunca, fazê-lo pelo Senhor.
                                                                                                                 Pr. Geremias do Couto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Líderes não são maiores do que a graça de Deus - Geremias do Couto

                                     
Ah, se todos nós, que somos considerados líderes, tirássemos as nossas máscaras e vivêssemos o discipulado em sua forma simples e bíblica. Ah, se abríssemos mão de certos caprichos, vaidades, presunção, arrogância, orgulho, farisaísmo, ostentação e viéssemos para a planície. Quanto ganhariamos! E a igreja também! Não generalizo, mas uso a linguagem da inclusão ao pensar que muitos de nós estamos de fato incorrendo nessa gravíssima falha. Sei que o desenvolvimento pessoal é parte do nosso crescimento. Mas considerar tudo o que conquistamos como esterco (tem lá o seu valor) é um dos princípios da vida cristã. 

O que está em cena, aqui, não são as nossas conquistas em si mesmas, mas o pedestal, a glória humana, a fantasia, a hipocrisia, o aplauso e a consequente perda de referenciais. Achar que somos tudo, quando, na verdade, nada somos. Ou passar uma falsa humildade, que, no fundo, pretende que as pessoas olhem para nós e digam: "vocês são mesmo os tais!" Esse é o cerne. Quantas vezes pregamos e, ao final, nos sentimos frustrados, quando as pessoas não nos procuram para "elogiar" a nossa pregação! Quantas vezes chegamos de propósito atrasados ao culto para que a assistência nos olhe com admiração e, se não pode falar alto, pelo menos pense ou cochiche: "Está chegando o pregador!" Esse é o ponto. 

Infelizmente, trazemos para a nossa realidade da fé um pouco (ou muito?) da herança católica que faz o povo olhar para os seus líderes como infalíveis. Estes, por sua vez, vestimos a farda com muita facilidade. A partir disso, passamos a ser os reis da cocada preta (sem racismo, por favor. Pode ser branca também!). Até na forma de andar, gesticular ou fazer alguns trejeitos, expomos a aura da infalibilidade que tanto massageia o nosso ego. Não conseguimos ser simples, e, se tentamos aparentar simplicidade, fazemos de maneira tão afetada que logo transparece a prepotência. Como neste conhecido bordão: "Fulano é tão humilde que tem orgulho da sua humildade".

Só que a casa cai. Não há arrogância que dure para sempre. De tempos em tempos, para a nossa tristeza (e também aprendizado), surge uma nova notícia, dando conta do fracasso de um líder, que muitos o tinham como o grande referencial e o tratavam, não com o respeito que todos merecem, mas com idolatrada veneração. Podemos chegar a este ponto, quando perdemos os nossos limites. Quando achamos que não temos de prestar contas a ninguém. Quando nos colocamos no pedestal acima dos "simples mortais". Quando não nos reconhecemos como o principal dos pecadores, à semelhança de Paulo. Quando deixamos de olhar as "nossas justiças como trapos da imundícia". Quando achamos que somos maiores do que a graça de Deus. Quando o pecado torna-se apenas um detalhe que não nos importa em nosso dia a dia. Quando, por confiar em nossa autossuficiência, não buscamos ajuda em nossos momentos de fragilidade.

Creio que Deus permite a exposição de alguns dentre nós, trazendo à tona todos os apetrechos escondidos no seu coração, para que o povo perca essa visão "divinizada" da liderança, e nós, que somos tidos em tal condição, possamos humildemente dizer como João Batista: "É necessário que ele cresça e que eu diminua", ou como Paulo: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" Ao contemplarmos tais situações, por outro lado, nossa atitude deveria ser a de vestir-nos de sacos e assentar sobre as cinzas para chorar os nossos pecados pessoais e coletivos, orar pela restauração de quem está sendo tratado pelo Senhor e, com inteireza de coração, nos expormos aos braços amoráveis do Pai para deixar de ser sustentados pelas nossas próprias pernas.

Líderes são necessários na igreja desde os primeiros dias do Cristianismo. Atos dos Apóstolos descreve a sua existência. As epístolas tratam de forma clara o assunto. Mas não formam casta especial. Privilegiada. Com alguns galões que possam distingui-los dos demais crentes em sua relação com Deus. Não são pequenos deuses para ser glorificados pelos homens. São modelos, inclusive na fraqueza, para que possam pelo exemplo mostrar aos que lideram, no mesmo nível, que só pela graça - unicamente e apenas pela graça - sem qualquer outro privilégio, podem superar as falhas e buscar a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. E aí todos saberão que ninguém é melhor do que ninguém ou ocupa lugar especial à direita ou a esquerda do trono de Deus.

Somos humanos, fracos, faliveis, necessitados, dependentes, incapazes em nós mesmos, para os quais o Senhor, que enfrentou todas as nossas fraquezas em sua humanidade, pode dizer: "A minha graça te basta".