domingo, 28 de novembro de 2010

Que venham as pedras ...

– Pastor?! Mas com esse cabelo de hippie?!
A frase foi direcionada a mim, embora não compreenda o que meu cabelo espetado (ver foto) tenha a ver com as madeixas, geralmente compridas, dos hippies.
Pensei: – Não tem jeito, de uma forma ou de outra, o título de pastor nos faz alvo de críticas.
– Pois é, apesar do cabelo, sou pastor sim – respondi, educadamente àquela surpresa senhora, que, a meu ver, não tem muita simpatia pelos hippies (ou seria pelos pastores?).

Nunca em meus tempos de juventude sonhei em ser pastor. Não quis, não planejei, não pedi, ou mesmo nutri forte admiração por algum representante da espécie. Mas, evidentemente, essa história mudou. Um belo dia, flagrei-me em oração, admitindo diante de Deus meu desejo de pastorear, de pregar, de mentoriar pessoas, de cuidar de “gentes”, de servir. Ri de mim mesmo; lembrei-me do velho homem, sempre crítico e severo em relação a tudo que dissesse respeito a Deus. Como o mundo dá voltas! E tolos são aqueles que ficam inertes enquanto o mundo gira.

Não por mim, mas por vontade soberana do Senhor – assim eu creio – aconteceu. Tornei-me pastor em uma época em que ser um deles é amargar toda sorte de comentário malicioso. “Pastor é tudo picareta”; “Só sabe tirar dinheiro dos bestas”; “Vivem fazendo lavagem cerebral nas pessoas”..., falam alguns, mesmo sem saber por quê. Para mostrar intelectualismo, talvez.

E eu com isso? Ora, eu aprendi com Jesus que amar a quem nos ama é fácil, mas é preciso amar àqueles que nos desejam mal. Aprendi com Cristo também que o evangelho deve ser pregado a todos, sem acepção de pessoas. Mas, como pregar a quem te ridiculariza, te falta com respeito, te ignora, faz chacota de ti pelas costas? Fora da igreja (lá é fácil receber cumprimentos e o amor dos irmãos) é exatamente o que eu vivo todos os dias, seja no meu trabalho secular ou em outros cantos.

Desânimo? Às vezes bate, sim. Mas não dura muito, porque lembro Daquele que não pensou duas vezes em ser achincalhado, chicoteado, humilhado, morto..., por minha causa. Lembro de quem eu era e de quem eu sou, por causa Dele. Minha alma sorri. Oro, peço sabedoria e oportunidades de pregar àqueles que não querem ouvir. Consolo-me ao lembrar que um dia eu também não o quis, e também chamei pastor de ladrão. Hoje falo de Cristo com a convicção de quem conhece os dois lados da moeda. Quisera todos se permitissem conhecer antes de emitir opiniões. Ah, se eu tivesse falado menos e conhecido mais. Não teria perdido tanto tempo.

Pois é, apesar das pedras e dos rótulos, ser pastor é uma alegria e uma honra. Que venham as pedras e caiam os rótulos. Vamos em frente, marchando para o alvo.
                                                                                   Clovis Cabalau.

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